A indústria catarinense mantém o compromisso histórico de buscar a melhoria das condições de trabalho e o bem-estar de quem produz. No entanto, é preciso coragem para dizer o que muitos evitam: o debate sobre o fim da jornada 6x1 está sendo perigosamente contaminado por interesses eleitorais.
De acordo com Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), não se pode misturar uma mudança de tamanha magnitude estrutural com o oportunismo de quem busca popularidade digital ou dividendos nas urnas. O real interesse do Brasil — que é o crescimento sustentável — é muito diferente da pressa daqueles que visam apenas a próxima eleição.
Como já manifestado publicamente pelo setor produtivo em diversas oportunidades, redução da jornada sem redução de salários só é viável sob duas premissas fundamentais: o aumento real da produtividade e a livre negociação.
A Reforma Trabalhista de 2017 já oferece os instrumentos para que empregadores e empregados ajustem suas realidades. Onde há tecnologia e escala, a redução já acontece de forma negociada. Contudo, em Santa Catarina, 86% dos trabalhadores industriais (806 mil pessoas) ainda operam em regime de 44 horas semanais.
"Isso não é uma 'escolha' arbitrária dos empresários, mas o reflexo das duras condições competitivas a que estamos expostos", expõe.
Segundo Gilberto, o cenário internacional é simbolizado pelo "tarifaço" nos EUA e pela agressividade produtiva de gigantes asiáticos e vizinhos como o México, que mantêm jornadas de 48 horas ou mais. Alemanha, Dinamarca, Irlanda, Holanda, Argentina e Uruguai permitem jornadas de 48 horas. A Suíça, de 50. Ignorar isso é condenar a indústria nacional.
A CNI projeta um impacto de R$ 179 bilhões ao setor produtivo e de R$ 150 bilhões ao setor público, elevando o custo do emprego em 25%. O resultado? Alta nos preços ao consumidor, informalidade e, no fim das contas, o desemprego.
“Pedimos lucidez aos parlamentares: a gravidade do assunto exige responsabilidade técnica, não populismo. E convocamos os empresários para que nos apoiem no esclarecimento aos trabalhadores, políticos e opinião pública”, destaca o presidente da Fiesc.
Oeste Mais