O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, pediu a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do processo envolvendo o Banco Master, após encontrar menções ao magistrado no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira.
A PF entregou o conteúdo extraído do aparelho celular e o pedido de suspeição ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, nesta quarta-feira (11). As informações são do jornal O Globo.
Fachin então encaminhou o documento para Dias Toffoli argumentar se há conflitos de interesse em sua atuação como relator da investigação no STF. Em nota, Toffoli afirma que a resposta será apresentada ao presidente da Corte:
"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte".
Possível relação
Toffoli é atualmente o relator do caso do Banco Master, que foi liquidado (fechado) pelo Banco Central após indícios de fraudes e possibilidade de contaminação no mercado financeiro nacional.
O pastor evangélico e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões.
Documentos obtidos pelo Estadão com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostram que Fabiano Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso do Leal e de um outro fundo que o cunhado de Vorcaro passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento.
Outra pessoa envolvida na negociação é o executivo da Reag Silvano Gersztel, que foi o representante de um fundo da gestora do mercado financeiro na compra de uma parcela da participação dos irmãos do ministro no Tayayá.
Gersztel é investigado por suposta lavagem de dinheiro para empresários do setor do combustível ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em esquema abordado pela operação Carbono Oculto.
GZH