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PF encontra menções a Toffoli no celular de Vorcaro e pede suspeição do ministro

Magistrado diz que solicitação de afastamento por conflito de interesse é embasada em "ilações"

PF encontra menções a Toffoli no celular de Vorcaro e pede suspeição do ministro
Foto: Gustavo Moreno / STF

O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, pediu a suspeição do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do processo envolvendo o Banco Master, após encontrar menções ao magistrado no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. 

A PF entregou o conteúdo extraído do aparelho celular e o pedido de suspeição ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, nesta quarta-feira (11). As informações são do jornal O Globo.

Fachin então encaminhou o documento para Dias Toffoli argumentar se há conflitos de interesse em sua atuação como relator da investigação no STF. Em nota, Toffoli afirma que a resposta será apresentada ao presidente da Corte:

"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte". 

Possível relação

Toffoli é atualmente o relator do caso do Banco Master, que foi liquidado (fechado) pelo Banco Central após indícios de fraudes e possibilidade de contaminação no mercado financeiro nacional.

O CEO do Master, Daniel Vorcaro, foi preso enquanto tentava fugir do Brasil em novembro de 2025; ele foi libertado 10 dias depois e é monitorado por tornozeleira eletrônica. A negociação para a compra do hotel envolve também a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação do hotel.

O pastor evangélico e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões.

Documentos obtidos pelo Estadão com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostram que Fabiano Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso do Leal e de um outro fundo que o cunhado de Vorcaro passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento.

Outra pessoa envolvida na negociação é o executivo da Reag Silvano Gersztel, que foi o representante de um fundo da gestora do mercado financeiro na compra de uma parcela da participação dos irmãos do ministro no Tayayá.

Gersztel é investigado por suposta lavagem de dinheiro para empresários do setor do combustível ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em esquema abordado pela operação Carbono Oculto.

GZH

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