Um homem de 54 anos foi condenado pelo Tribunal do Júri de Maravilha a 86 anos e oito meses de reclusão pelos crimes cometidos contra a ex-companheira e familiares dela em junho de 2025. Além da pena de prisão, a Justiça fixou indenização de R$ 150 mil às vítimas.
A sentença foi proferida nesta quinta-feira (18), após julgamento que se estendeu durante todo o dia. O Conselho de Sentença reconheceu a prática de dupla tentativa de feminicídio, com agravantes por terem sido cometidas na presença de descendente e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas. O réu também foi condenado por disparo de arma de fogo contra a ex-cunhada e por porte de arma de uso restrito.
A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, com execução imediata, conforme entendimento aplicado às decisões do Tribunal do Júri. Embora ainda caiba recurso, o condenado não poderá recorrer em liberdade.
Crime ocorreu em junho de 2025
Os fatos aconteceram em 26 de junho de 2025, no bairro Kasper, em Maravilha. Conforme a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o acusado não aceitava o fim do relacionamento com a ex-companheira.
Na ocasião, a mulher visitava familiares na cidade quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Segundo a acusação, ele aguardou a vítima sair da residência da irmã e efetuou diversos disparos enquanto ela recolhia roupas do varal.
Mesmo ferida, a mulher conseguiu correr até a casa da mãe, localizada nas proximidades. A ex-sogra do autor também foi atingida pelos tiros. As duas sobreviveram após receber atendimento médico.
Ainda de acordo com a denúncia, durante a mesma ação criminosa, o homem tentou atirar contra a ex-cunhada. Os jurados, porém, decidiram desclassificar essa acusação de tentativa de feminicídio para o crime de disparo de arma de fogo.
Prisão após fuga
Após o atentado, o suspeito fugiu em direção ao município de São Miguel da Boa Vista. Uma operação envolvendo diversas equipes da Polícia Militar foi mobilizada para localizar o autor.
As buscas resultaram na prisão do homem e de uma segunda pessoa que teria auxiliado na fuga. Ambos foram encontrados no interior de Tigrinhos, na localidade conhecida como Linha 3 Voltas.
Na ocasião, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380 com a numeração raspada.
Julgamento
Durante o julgamento, as vítimas prestaram depoimento sem a presença do réu no plenário. Posteriormente, ele foi interrogado pela Justiça. Na parte da tarde, acusação e defesa apresentaram suas argumentações aos jurados, com direito à réplica e tréplica.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Bruno Poerschke Vieira, com assistência da defensora pública Lisiane Beatriz Wickert. Este foi o primeiro júri popular realizado em Maravilha com atuação da Defensoria Pública na assistência qualificada à vítima de violência doméstica.
O processo tramita sob sigilo para preservação das vítimas.
Portal São Miguel, com WH Comunicações/ Líder