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Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico em março, aponta CNC

Mesmo com a primeira queda da Selic no ano, 80,4% das famílias têm dívidas a vencer; alta do petróleo e inflação seguem pressionando o consumo.

Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico em março, aponta CNC
Foto: Freepik

Dados divulgados pelo Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom) indicam que, apesar da primeira redução da taxa Selic em março, o percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer chegou a 80,4%, renovando o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).

O levantamento é realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e mostra que o índice superou os 80,2% registrados em fevereiro. Para a entidade, o novo recorde acende um alerta para os próximos meses, diante dos impactos do conflito no Oriente Médio e da consequente alta do petróleo, que pesa diretamente no bolso do consumidor.

Segundo a CNC, o endividamento deve continuar avançando até que os efeitos da flexibilização da política monetária cheguem de forma mais efetiva ao consumidor final. Além dos juros ainda elevados, o aumento dos preços do diesel e dos combustíveis em geral tem gerado incerteza inflacionária, elevando custos logísticos e pressionando os preços das mercadorias. Esse cenário reduz o poder de compra das famílias e estimula o uso do crédito até mesmo para despesas básicas.

Inadimplência mostra sinais de estabilização

O diretor executivo do Sicom, Almeri Dedonatto, destaca que, apesar do volume recorde de endividados, os índices de inadimplência apresentaram estabilidade. Em março, o percentual de famílias com dívidas em atraso ficou em 29,6%, o mesmo patamar de fevereiro, embora ainda acima dos 28,6% registrados em março de 2025.

Outro dado relevante é a redução do grupo de consumidores que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas, que caiu para 12,3%, indicando uma possível mudança de comportamento diante das obrigações financeiras.

Quanto à percepção das famílias, a pesquisa mostra que o percentual de pessoas que se consideram muito endividadas recuou para 16%. Já o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,6%, abaixo do observado no mesmo período do ano anterior. O pico negativo da inadimplência foi registrado em setembro e outubro de 2025, quando 30,5% dos endividados estavam com contas em atraso.

Para o Sicom e a CNC, o cenário exige cautela, já que a recuperação do poder de compra das famílias depende de uma combinação entre inflação controlada, crédito mais barato e maior previsibilidade econômica.

WH3 com Oeste Mais

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