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Cigarro eletrônico aumenta risco de doenças pulmonares e preocupa especialistas

Criado como alternativa para ajudar fumantes a abandonar o cigarro convencional, o vape não comprovou eficácia na cessação do tabagismo e está associado ao aumento de problemas respiratórios, principalmente entre jovens.

Cigarro eletrônico aumenta risco de doenças pulmonares e preocupa especialistas
Foto: Imagem ilustrativa

Desenvolvido com a proposta de auxiliar fumantes a abandonar o cigarro convencional, o cigarro eletrônico, conhecido popularmente como vape, não alcançou o objetivo esperado e passou a ser alvo de preocupação entre especialistas em saúde devido aos riscos associados ao seu uso.

O dispositivo funciona por meio da vaporização de um líquido que pode conter nicotina, cannabis, aromatizantes e outras substâncias químicas. Embora a tecnologia de vaporização exista há décadas, os modelos portáteis ganharam popularidade a partir de 2003.

As primeiras versões buscavam eliminar a nicotina, mas muitos usuários voltavam ao cigarro tradicional devido à dependência da substância. Atualmente, a maioria dos produtos comercializados contém nicotina e uma combinação de saborizantes, como frutas e mentol, fatores que contribuíram para sua rápida aceitação, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.

O design moderno, as cores chamativas, os sabores variados e a ausência do odor característico do cigarro convencional tornaram os dispositivos bastante atrativos. Enquanto o número de fumantes tradicionais vem diminuindo graças às campanhas de conscientização, o consumo de cigarros eletrônicos cresce em diversos países.

Levantamentos realizados com estudantes nos Estados Unidos apontam que a proporção de usuários passou de 4,7% para 10%, reforçando a preocupação com a popularização do produto entre os mais jovens.

Substâncias tóxicas continuam presentes

Apesar de apresentar concentrações menores de alguns compostos quando comparado ao cigarro convencional, o vape também contém substâncias potencialmente nocivas, como nitrosaminas, monóxido de carbono e metais pesados.

Em 2009, a agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) já havia emitido um alerta sobre os possíveis riscos à saúde relacionados ao uso desses dispositivos.

Casos de lesão pulmonar acendem alerta

Desde a popularização do cigarro eletrônico, estudos e relatos médicos têm associado seu uso ao desenvolvimento de doenças respiratórias.

Em 2019, os Estados Unidos registraram uma série de internações provocadas por lesões pulmonares relacionadas ao uso de cigarros eletrônicos. A condição passou a ser conhecida como EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos e dispositivos de vaporização.

Nos consultórios, pneumologistas relatam aumento no número de pacientes com sintomas como tosse persistente, cansaço, dor no peito e falta de ar. Também são observados casos de agravamento de doenças respiratórias já existentes, como a asma, além de maior suscetibilidade a infecções virais e pneumonias.

Especialistas destacam que, por se tratar de um produto relativamente recente, ainda são necessários mais estudos para compreender completamente os mecanismos que provocam essas lesões.

Dependência e preocupação com os jovens

Além de não demonstrar eficácia como ferramenta para cessação do tabagismo, o cigarro eletrônico passou a ser visto como um fator de iniciação ao consumo de nicotina, especialmente entre adolescentes e jovens que nunca haviam fumado.

Para especialistas, o crescimento do uso dos vapes reforça a necessidade de campanhas de conscientização sobre os riscos do produto e de medidas para evitar que novos usuários desenvolvam dependência química e doenças relacionadas ao consumo.

 SBTNEWS 

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