O Governo Federal do Brasil anunciou nesta quarta-feira (18) um pacote de medidas para tentar conter a pressão dos caminhoneiros e evitar uma possível greve nacional. As ações focam principalmente no reforço da fiscalização do piso mínimo do frete e na tentativa de reduzir o custo do diesel.
Segundo o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Guilherme Sampaio, empresas que desrespeitarem a tabela do frete poderão ser impedidas de operar no transporte de cargas.
“Pente-fino” no frete
A principal medida anunciada é o endurecimento na fiscalização do piso mínimo do frete. A proposta é ampliar a responsabilização, atingindo não apenas transportadoras, mas também contratantes e até acionistas das empresas envolvidas em irregularidades.
Nos últimos quatro meses, as multas aplicadas por descumprimento da tabela já somam cerca de R$ 419 milhões.
De acordo com o governo, o objetivo é garantir que os caminhoneiros recebam valores justos pelo transporte e reduzir tensões com a categoria.
Pressão por alta do diesel
O anúncio ocorre em meio a um cenário de forte alta no preço do diesel. O diesel S-10 acumula aumento de 18,86% desde o fim de fevereiro, pressionado pelo mercado internacional de petróleo.
A Petrobras afirma que mantém uma política de reajustes responsável, enquanto o governo aponta possível especulação nos preços.
Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística cobra mudanças na política de distribuição de combustíveis.
Negociações e articulação política
Além da fiscalização, o governo atua em outras frentes para tentar evitar a paralisação:
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O Ministério da Fazenda, liderado por Fernando Haddad, discute com o Confaz a possibilidade de reduzir temporariamente o ICMS sobre o diesel
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Lideranças dos caminhoneiros devem se reunir com o ministro Guilherme Boulos
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Motoristas participam de reuniões em portos, como em Santos (SP), para definir os próximos passos do movimento
Risco de nova paralisação
A mobilização da categoria ocorre em meio à insatisfação com os custos do combustível e o descumprimento do frete mínimo. A preocupação do governo é evitar uma nova paralisação como a registrada em 2018, que causou impactos em todo o país.
Apesar das medidas, a possibilidade de greve ainda não está descartada e depende das negociações em andamento.
ND+