A produtividade do milho no Extremo Oeste de Santa Catarina cresceu 35% nos últimos dez anos. O dado é do assistente de Pesquisa e Mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer, que participou no sábado, 14, do programa Peperi Rádio Repórter, da Rádio Peperi.
Segundo ele, o número chama atenção porque se refere exclusivamente à produtividade, ou seja, à quantidade colhida por hectare e não à rentabilidade do produtor. “Nos últimos 10 anos, nós temos crescido 35% a produtividade. Não estou falando de rentabilidade, estou falando de produtividade no Extremo Oeste”, destacou.
De acordo com o levantamento parcial da Epagri, a média das lavouras já colhidas chega a 197 sacas por hectare. Na estimativa técnica feita a campo, o número já encosta em 200 sacas, mas ainda não é definitivo.
A equipe ainda precisa coletar amostras em 17 propriedades. A expectativa é concluir o levantamento até 5 de março. A média histórica da região gira em torno de 195 sacas por hectare. Já a média estadual da safra anterior, considerando todos os municípios catarinenses, foi de 156 sacas.
Kretschmer explica que os municípios analisados são justamente os mais produtivos da região, o que eleva os números. Entre os destaques estão Cunha Porã, Pinhalzinho, Palmitos, Descanso, Belmonte e, em alguns anos, Guaraciaba.
Mesmo com lavouras mais tardias prejudicadas pela estiagem, a projeção regional deve fechar próxima de 180 sacas por hectare.
O clima influenciou diretamente o calendário agrícola. Nas regiões de Palmitos, Caibi e Saudades, o milho plantado no início de agosto deveria estar pronto para colheita por volta de 20 de dezembro. Mas só começou a ser colhido em 10 de janeiro.
O motivo foi um período de frio prolongado até novembro, que desacelerou o crescimento das plantas. Por outro lado, o frio reduziu a incidência da cigarrinha praga que preocupa produtores, mas favoreceu o aumento de percevejos, mais resistentes às baixas temperaturas.
Mesmo com alta produtividade, Santa Catarina continua dependente da importação de milho. O Estado tem déficit anual superior a 6 milhões de toneladas para atender a cadeia produtiva, principalmente suinocultura e avicultura.
Hoje, o milho vem principalmente do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e também do Paraguai.
Em nível estadual, houve crescimento de 3% na área plantada e expectativa de aumento de até 5% na produção. Ainda assim, segundo Kretschmer, é pouco diante da demanda crescente.
Curiosamente, mesmo com preço médio em torno de R$ 55 a saca e dólar mais baixo, o Brasil ampliou em 18% as exportações de milho para Estados Unidos e China neste ano.
“O mundo inteiro precisa de milho. Eu sempre digo que existem duas energias muito fortes: a energia elétrica e a energia chamada milho”, afirmou.
O custo médio de produção varia entre 95 e 130 sacas por hectare, dependendo do nível tecnológico da propriedade. Enquanto algumas lavouras produziram cerca de 130 sacas por hectare, outras ultrapassaram 240 sacas.
Na prática, quem colheu 240 sacas e teve custo de 130, obteve boa rentabilidade. Já quem produziu 130 sacas com custo de 110, ficou com margem bem mais apertada.