O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso nesta sexta-feira, dia 6, em Assunção, após ser destituído do cargo pelo Senado paraguaio em meio a um escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank. A prisão foi determinada no contexto de investigações sobre suspeitas de irregularidades na administração de recursos públicos, e o ex-mandatário deverá permanecer em prisão domiciliar.
A destituição ocorreu após o Senado aprovar o impeachment de Peña por 44 votos favoráveis, sem votos contrários entre os parlamentares presentes. O julgamento político teve como principal motivação as suspeitas de conflitos de interesse e favorecimento à instituição financeira.
Conforme as investigações, o ex-presidente é suspeito de envolvimento em irregularidades relacionadas ao depósito de recursos públicos no Ueno Bank. Entre os órgãos citados nas denúncias estão o Instituto de Previdência Social (IPS), a usina binacional de Itaipu e o Ministério da Economia.
A crise financeira ganhou proporções nacionais após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, motivada por problemas de solvência. A medida provocou o bloqueio de depósitos de aproximadamente três milhões de clientes, desencadeando manifestações e aumentando a pressão política sobre o governo.
Prisão e investigações
Após a decisão do Senado, o Ministério Público paraguaio determinou a detenção de Santiago Peña no âmbito das investigações sobre suspeitas de lesão de confiança e outros possíveis crimes relacionados à instituição bancária.
A destituição também retirou do ex-presidente a possibilidade de assumir uma cadeira vitalícia no Senado, condição que lhe garantiria prerrogativas parlamentares.
Peña nega ter cometido irregularidades. As investigações continuam para esclarecer sua eventual participação nas operações financeiras investigadas.
Vice-presidente assume o comando do Paraguai
Com a saída de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai, com a responsabilidade de concluir o mandato previsto até agosto de 2028.
A mudança no comando do país ocorre em meio a uma grave crise política e financeira, enquanto as autoridades buscam apurar responsabilidades e garantir a recuperação dos recursos dos clientes afetados pelo colapso do Ueno Bank.
