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Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico e chega a 82%, aponta CNC

Pesquisa revela que seis meses consecutivos de alta levaram o indicador ao maior nível da série histórica; apesar de leve queda na inadimplência, cresce o comprometimento da renda com dívidas.

Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde histórico e chega a 82%, aponta CNC
Foto: Freepik

O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde em julho. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 82% dos consumidores afirmaram possuir algum tipo de dívida a vencer, o maior percentual registrado desde o início da série histórica.

O resultado representa uma alta de 0,4 ponto percentual em relação a junho, quando o índice estava em 81,6%. Na comparação com julho de 2025, quando 78,5% das famílias tinham dívidas, o avanço foi de 3,5 pontos percentuais.

Com o novo resultado, o indicador acumula seis meses consecutivos de recorde.

Entre as principais modalidades de dívida estão o cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, cheque especial e carnês de lojas.

Inadimplência recua, mas pressão financeira aumenta

Apesar do aumento no número de famílias endividadas, a inadimplência apresentou uma leve redução em julho. O percentual de consumidores com contas atrasadas caiu de 29,9% para 29,8% entre junho e julho.

O resultado ocorre após os primeiros meses de funcionamento do Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo federal.

Mesmo com menos atrasos, a CNC alerta para o aumento do comprometimento da renda. Em julho, 19% das famílias afirmaram ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas, maior nível desde março.

Em média, os consumidores endividados destinam 29,5% da renda mensal para quitar compromissos financeiros.

Cartão de crédito segue como principal preocupação

Especialistas apontam que o cartão de crédito continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o orçamento das famílias.

Segundo a economista e professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), Carla Beni, o aumento do acesso ao crédito não significa necessariamente que ele ficou mais barato.

Ela destaca que o parcelamento de compras se tornou comum no país e contribui para ampliar o número de compromissos financeiros em aberto.

Famílias de menor renda são as mais afetadas

O levantamento mostra que as famílias com renda de até três salários mínimos são as mais pressionadas pelo endividamento. Nesse grupo, 84,9% dos consumidores possuem dívidas, o maior índice entre as faixas analisadas.

Essa parcela da população também foi a única a registrar aumento da inadimplência em julho, passando de 38,3% para 38,5%.

Entre os consumidores de menor renda, também cresceu o percentual daqueles que afirmam não ter condições de pagar as contas vencidas.

Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento chegou a 72% em julho, mas a inadimplência apresentou queda, passando de 15,4% para 15,1%.

CNC pede cautela

Para a CNC, alguns sinais positivos aparecem no cenário, como a redução no tempo médio de atraso das dívidas e os efeitos dos programas de renegociação.

O tempo médio de atraso caiu pelo terceiro mês seguido, chegando a 64,6 dias, o menor resultado desde dezembro de 2025.

Mesmo assim, a entidade alerta que o volume elevado de dívidas continua pressionando o orçamento das famílias brasileiras e pode impactar o consumo e a economia nos próximos meses.

G1

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