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EUA devem confirmar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; indústria e agronegócio podem ser os mais afetados

Governo brasileiro considera medida "injusta" e aguarda decisão para definir possível resposta comercial

EUA devem confirmar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; indústria e agronegócio podem ser os mais afetados
Foto: Tania Rego/Agência Brasil

Os Estados Unidos devem anunciar nesta quarta-feira (15) a decisão sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano.

Caso a medida seja confirmada, o governo brasileiro pretende manter as negociações diplomáticas para tentar adiar o início da cobrança. Paralelamente, o Palácio do Planalto avalia a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento que permite ao Brasil adotar medidas semelhantes em resposta a barreiras comerciais impostas por outros países.

A possível sobretaxa preocupa principalmente os setores da indústria e do agronegócio, que mantêm forte relação comercial com os Estados Unidos.

Entre os produtos mais impactados está o ferro-gusa, matéria-prima utilizada na fabricação de aço e ferro fundido. Em 2024, as exportações brasileiras do produto para os Estados Unidos somaram cerca de US$ 1,5 bilhão, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Atualmente, o ferro-gusa já é tributado em 10%. Com a nova medida, a carga tarifária poderá chegar a 37,5%, elevando os custos para as empresas e reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Além do setor siderúrgico, empresas da indústria madeireira e fabricantes de produtos como açúcar de cana em forma sólida, sebo não comestível e álcool etílico não desnaturado também poderão sofrer impactos.

Por outro lado, produtos como carnes, café, minerais e componentes aeronáuticos ficaram fora da lista da nova sobretaxa.

Na terça-feira (14), representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República se reuniram com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para discutir a medida.

Em nota, o governo brasileiro afirmou que a aplicação da sobretaxa "se mostra injusta" e defendeu que o diálogo entre os dois países é o caminho mais adequado para a construção de um acordo comercial equilibrado.

A expectativa é de que a posição oficial do governo norte-americano seja divulgada ao longo desta quarta-feira.

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