A obesidade é uma das doenças mais negligenciadas da atualidade, sendo um dos principais desafios de saúde no Brasil. Em Palmas, Sul do Paraná, dados do Ministério da Saúde apontam que 37% da população adulta sofre com a obesidade, enquanto outros 33% estão na faixa do sobrepeso.
Para debater os avanços da medicina nesse cenário, o especialista em Clínica Médica, Bruno Tomioka, foi entrevistado no Programa Pauta Dinâmica, da Rádio Club, nesta sexta-feira (20), onde abordou aspectos relacionados à obesidade e também explicou o funcionamento das chamadas “canetas emagrecedoras”.
De acordo com o médico, o desenvolvimento destas medicações pode ser tratado como uma revolução, diante dos resultados de perda de peso que são possíveis de serem alcançados, reforçando a necessidade do acompanhamento médico.
Ele explica que essas medicações atuam em duas frentes: no sistema gastrointestinal, retardando o esvaziamento do estômago para aumentar a saciedade, e no sistema nervoso central, regulando os neurônios responsáveis pela vontade de comer.
Embora o fator estético atraia muitos pacientes, Dr. Bruno enfatiza que a obesidade é uma doença que desencadeia outras condições graves, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado e apneia do sono.
Ele destaca ainda que estudos recentes já validaram o uso da Semaglutida (Ozempic/Wegovy) para reduzir eventos cardiovasculares maiores, como infartos e AVC’s.
Com a alta demanda e o custo elevado, muitos pacientes recorrem a alternativas perigosas, como as “canetas paralelas”. O especialista alerta que esses produtos não possuem regulamentação, podem ser falsificados e raramente são transportados em condições adequadas de refrigeração, o que compromete a segurança.
Além disso, adverte contra o uso, mesmo das canetas autorizadas, sem acompanhamento profissional. “Sem uma mudança no estilo de vida, incluindo pelo menos 200 minutos de atividade física semanal, o paciente corre o risco de perder massa muscular e recuperar o peso original”, destaca.
Nesta sexta-feira, ocorre a queda da patente da Semaglutida no Brasil. A expectativa é que a entrada de novos laboratórios no mercado reduza os custos e facilite o acesso da população ao tratamento. Embora o SUS (Sistema Único de Saúde) tenha negado a incorporação da Semaglutida no passado por questões financeiras, o Dr. Bruno acredita que a quebra da patente pode abrir caminho para uma nova análise de custo-benefício pelo governo federal.
RBJ
