Santa Catarina é o estado brasileiro que mais concentra trechos perigosos em rodovias federais. Levantamento do Observatório Fetrancesc, com base em dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de 2025, aponta que quatro dos dez pontos mais críticos do país ficam em território barriga-verde todos na BR-101.
O trecho mais violento do Brasil está entre os quilômetros 200 e 210, em São José, na Grande Florianópolis. Só entre janeiro e dezembro do ano passado, foram registrados 575 acidentes e dez mortes. É ali que o trânsito trava, o fluxo aperta e o risco dispara.
O terceiro ponto mais perigoso do país também fica na mesma rodovia, entre os quilômetros 210 e 220, no trecho entre São José e Palhoça. Foram 341 acidentes e quatro mortes no período.
Mais ao Norte, em Balneário Camboriú, o segmento entre os quilômetros 130 e 140 aparece como o oitavo mais violento do Brasil, com 279 acidentes e oito mortes.
A novidade no ranking de 2025 é a entrada do trecho entre os quilômetros 190 e 200, em Biguaçu, que passou a ocupar a décima posição nacional. Ali, a PRF contabilizou 261 acidentes e oito mortes.
Todos os trechos estão concentrados na porção Norte da BR-101 em Santa Catarina — um retrato do colapso já conhecido por motoristas que enfrentam congestionamentos diários, gargalos e alto volume de veículos.
O cenário acende um alerta em meio às discussões sobre a otimização do contrato de concessão da rodovia, previsto para o período entre 2033 e 2048, e que inclui 116 obras não contempladas originalmente.
Estudos da Fiesc e da Fetrancesc, no entanto, indicam que as intervenções propostas ainda são insuficientes para garantir que, ao fim do contrato, a BR-101 alcance o nível de eficiência e fluidez esperado. Para quem passa por ali todos os dias, a sensação é clara: do jeito que está, não dá pra ficar.